Diário de Bordo 4 - Subindo e descendo o Monte Sinai - Maio/1996



Enquanto fazíamos a travessia neste grande e insondável deserto, de dentro do ônibus, eu sonolenta pelo fuso horário já descompassado, estava literalmente sonhando acordada.

Olhava pela janela o sol escaldante e a paisagem tão peculiar, de um lado as montanhas de pedra, areia e uma grande sequidão e do outro lado de um azul turqueza, o maravilhoso mar vermelho. Ficava imaginando o povo de Israel caminhando por aquele lugar em direção a Canaã. 

Tantas vezes eles foram ingratos a Deus, falavam pra Moisés que era melhor serem escravos no Egito e terem o que comer, do que vagarem por aquele deserto. Mas eles mal sabiam que estavam tão pertos da terra prometida a Abraão e aos seus descendentes.

Assim também somos nós, tantas vezes perto de alcançarmos uma grande benção, reclamamos porque ela tarda muito em chegar.
Deus jamais os abandonou. Deus jamais nos abandona. Enquanto o povo caminhava, todas as manhãs Deus mandava o maná, o pão que caia do céu em forma de orvalho, até que saciassem a fome. Alguns daqueles israelitas em sua pequena fé, guardavam o maná para mais tarde, mas ele apodrecia, era como se Deus dissesse: "Confiem em mim, não precisam armazenar o maná, amanhã enviarei mais".
E assim acontece em nossas vidas, o nosso “maná” vem todos os dias, é o nosso alimento, a nossa veste, a supressão da nossa necessidade. 
Deus continua sendo o mesmo, Ele não deixa faltar o pão para os seus filhos, O dia amanhecia e novamente caia o pão do céu. Como Deus é tremendo e fiel.
Jesus nos ensinou isso através da oração do “Pai Nosso” que diz: “O pão nosso de cada dia dai-nos hoje”, isso significa que não temos que estar anciosos quanto ao pão de amanhã.
Deus cuidava tanto daquele povo, como hoje cuida de nós. Durante a noite Deus enviava uma coluna de fogo para alumiar por onde andavam e de dia enquanto caminhavam uma nuvem fazia sombra para os proteger do sol, Deus também fez brotar água da rocha para saciar-lhes a sede. 
Deus continua sendo o mesmo, nos faz sombra nos nossos dias quentes e ilumina nosso caminho quando estamos perdidos na escuridão da noite e na sequidão do nosso deserto ele faz brotar água para saciar a nossa sede. 
Muitas vezes Deus nos leva para o deserto para que possamos crescer e entender que é Ele quem está no controle de nossas vidas, assim como os oásis que víamos pelo caminho, Ele é o refrigério e fonte inesgotável em meio ao nosso deserto. 
Nos hospedamos em um hotel à beira do mar vermelho, situado nas proximidades de Nuweiba , uma pequena cidade do Egito, aos pés do Monte Sinai. Ali nos preparamos para a grande subida no Monte onde Deus havia dado a Moisés as tábuas da lei com os dez mandamentos.
Saímos bem cedo, logo após o café da manhã. Estávamos bem equipados, com água, lanche, protetor solar, lenço, chapéu e confortáveis tênis. 
O sol estava pra lá de quente, levavámos também lanternas para iluminar o caminho na volta e agasalhos para nos protegermos do frio à noite. Estávamos alí com um único objetivo, seguir os passos de Moisés, subir a montanha com a expectativa de um grande encontro com Deus.
Fomos de ônibus até o mosteiro de Santa Catarina, aos pés do Monte, onde iniciamos nossa subida, ali havia alguns guias beduínos, moradores daquela região que ganham alguns trocados alugando seus camelos. Eu não perderia a oportunidade e lá estava eu montada em um camelo, subindo o Monte Sinai.
Ao terminar o percurso feito à camelo, subimos por uma escadaria, que segundo o google tem em torno de 4000 degraus, são escavados na rocha, onde fizemos algumas pausas para descanso e em uma delas a palavra da pastora Valnice. Havia em nosso grupo algumas pessoas idosas e todos se ajudavam, pairando no ar um espirito de companheirismo, de pessoas unidas por uma mesma fé capaz de lançar fora todo o cansaço.
Ao longo do caminho cruzávamos com peregrinos de várias nações descendo felizes por já terem alcançado o alvo e encorajando-nos a alcançá-lo.
Finalmente após 5 horas , a recompensa.
Lá de cima a vista é esplêndida e se mostrava como se fosse um belo quadro pintado pelo maior de todos os artistas. 
Já era quase o pôr do sol e os raios se escondiam entre as montanhas de pedras , uma visão que jamais esquecerei. Permanecemos alí por alguns momentos até que anoiteceu e quando lá do alto olhávamos para baixo víamos uma grande multidão de lanterninhas se movendo, eram os peregrinos retornando ao ponto de partida.
No final daquele percurso encontramos os nossos ônibus e retornamos ao hotel.












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