Diário de Bordo 7 - Os nossos pés estão dentro das tuas portas, ó Jerusalém - Maio/1996


Jamais imaginei na minha vida poder andar por aquele lugar! Depois de conhecer esta terra jamais voltaria pra casa a mesma pessoa. Do alto do Monte Scopus eu vi Jerusalém e o meu coração se incendiou e tudo o que eu sentia era um desejo de dobrar os joelhos, cobrir a cabeça em sinal da minha rendição e meu temor a Deus.
O silêncio do lugar e a imagem diante dos meus olhos, falavam mais do que qualquer palavra. Um lugar amado por Deus, mas alí também foi um lugar de grande tristeza quando da crucificação de nosso Senhor Jesus, tristeza esta que se tornou em alegria, quando da sua ressurreição.


O salmos 122: 1 a 9 diz:  


“Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor.
Os nossos pés estão dentro das tuas portas, ó Jerusalém.
Jerusalém está edificada como uma cidade que é compacta.
Onde sobem as tribos, as tribos do Senhor, até ao testemunho de Israel, para darem graças ao nome do Senhor.
Pois ali estão os tronos do juízo, os tronos da casa de Davi.
Orai pela paz de Jerusalém; prosperarão aqueles que te amam.
Haja paz dentro de teus muros, e prosperidade dentro dos teus palácios.
Por causa dos meus irmãos e amigos, direi: Paz esteja em ti.
Por causa da casa do Senhor nosso Deus, buscarei o teu bem
”.

Há duas formas de enxergarmos Jerusalém, podemos vê-la apenas como uma  cidade histórica ou podemos vê-la como uma cidade espiritual, das duas maneiras seremos grandemente surpreendidos. Ao caminhar pelas ruelas da cidade velha, a nossa imaginação transcende a este mundo.
A cidade antiga é dividida em quatro bairros, Armênio, Muçulmano, Judeu e Cristão,  é cercada por muralhas onde temos acesso através de 8 portas, a Porta de Sião, Porta do Monturo, Porta de Damasco, Porta dos Leões que também é conhecida como Porta das Ovelhas ou de Santo estevão, Porta de Herodes ou Porta das Flores, Porta da Misericórdia ou Porta Dourada ou Porta Oriental, esta porta é a única das 8 que permanece fechada, Porta de Jaffa e a Porta Nova.
Nesta cidade Jesus foi crucificado, morto e sepultado, mas não deixou ali nenhum resto mortal, porque ao terceiro dia Ele ressuscitou.
Somente estando ali para entender como uma cidade de 3000 anos de existência ainda sobrevive após tantas destruições e que mesmo depois de 2000 anos ainda podemos andar em lugares por onde Jesus andou, e também entender o porque Israel é a única nação do mundo que deixou de existir e depois de dezenas de séculos foi reconstituída.
Em Jerusalém são muitos os lugares onde somos emocionados e sensibilizados com a presença do Pai, fortalecemos a nossa fé quando visitamos lugares como o Túmulo de Jesus, Jardim do Getsemani,  o Monte das Oliveiras, o Monte do Templo,  Muro das Lamentações, etc.
Nesses lugares podemos chorar e falar com o pai, sem a preocupação de que alguém estará nos olhando e criticando, porque alí todo mundo chora, todo mundo se emociona com a certeza de que Deus está nos ouvindo.
Um dos lugares onde me senti muito emocionada foi no Jardim do túmulo, ou The Garden Tomb, entrando no túmulo entalhado na gruta, nos sentimos profundamente entristecidos, mas rapidamente uma alegria toma conta do nosso ser quando saimos ainda com lágrimas nos olhos e nos deparamos com a frase “Ele não está mais aqui, ele ressuscitou”.
Descrever essa incrível experiência não é tarefa fácil.
O Salmos 137, foi escrito quando os judeus estavam no cativeiro e descreve a saudade que eles tinham de Jerusalém:


“Junto aos rios da Babilônia, ali nos assentamos e choramos, quando nos lembramos de Sião".
Sobre os salgueiros que há no meio dela, penduramos as nossas harpas.
Pois lá aqueles que nos levaram cativos nos pediam uma canção; e os que nos destruíram, que os alegrássemos, dizendo: Cantai-nos uma das canções de Sião.
Como cantaremos a canção do Senhor em terra estranha?
Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, esqueça-se a minha direita da sua destreza.
Se me não lembrar de ti, apegue-se-me a língua ao meu paladar; se não preferir Jerusalém à minha maior alegria.
Lembra-te, Senhor, dos filhos de Edom no dia de Jerusalém, que diziam: Descobri-a, descobri-a até aos seus alicerces.
Ah! filha de babilônia, que vais ser assolada; feliz aquele que te retribuir o pago que tu nos pagaste a nós.
Feliz aquele que pegar em teus filhos e der com eles nas pedras
”.

Enfim tivemos depois a maravilhosa conferência, vários preletores, 7 dias sendo abençoados. Me despedi de Israel com a sensação de que um dia eu voltaria.
Enquanto viver, nunca, jamais esquecerei esta única e maravilhosa experiência
.































Comentários