Diário de Bordo 21 - Jerusalém - Monte do Templo - 28/01/2014 - terça-feira
O quarto do hostel era aconchegante, edredons bem quentinhos. Durante a noite acordei com o assovio de um vento muito forte, me levantei e fiquei olhando pela janela, pensando em uma passagem da bíblia em que Jesus havia enfrentando um forte vendaval no mar da Galiléia, provavelmente era uma noite como aquela, muita fria, os invernos em Israel são rigorosos, e muitas vezes chegam a nevar. Acordamos cedo, e antes do café, fizemos a leitura do nosso livreto “Pão diário” , entregando ao Senhor a direção daquele dia.
Novamente saímos a pé em direção a old city ou cidade velha até o portão de Jaffa, perguntamos no Centro de Informação Turisticas como ir ao “Monte do templo”, mesmo com o mapa nas mãos, as vezes caminhar pela cidade velha é um pouco confuso e ficamos meio perdidas naquele imenso labirinto. Andávamos de um lado a outro, passando pela rua principal, que é cheia de lojinhas e os vendedores nos diziam “Brazilll”, futebol, Neymar, venham, venham comprar. Sinceramente não sei como, mas é incrível todos eles falam boas palavras em português.
Perguntávamos a eles qual era o caminho para o Monte do templo, diziam não saber do que estávamos falando e que desconheciam tal lugar. Mas como assim, me perguntava, como não sabem?
Religiosamente falando o Monte do Templo é considerado um dos lugares mais importantes no mundo, para cristãos, judeus e muçulmanos. Ahaha !!! Eis a questão, para nós Cristãos ou para os Judeus é conhecido como o Monte do Templo, em hebraico Har Há Bayit, e para os mulçumanos é conhecido como Al-Haram Ash-Sharif, ou Esplanada das Mesquitas, para eles Monte do Templo não existe. Para o Islã é considerado o terceiro lugar mais sagrado do mundo, nós estávamos no bairro árabe, por mais que soubessem do que estávamos falando, jamais iriam dar a informação que buscávamos.
Uma jovem passando por ali, percebeu a nossa situação, se aproximou da gente e nos mostrou o caminho e nos explicou que eles jamais dariam a informação, a não ser que falassémos que estávamos buscando pela Esplanada das Mesquitas. A entrada para o Monte do templo fica bem ao lado do Muro das lamentações, através de uma rampa de madeira, onde o acesso é bloqueado por questões de segurança. Os horários são bem restritos e devem ser pesquisados antes da visita, pois corremos o risco de chegar lá e a porta de acesso estar fechada. Passamos por um checkpoint com policiamento severo, revista em bolsas, porta com detector de metais, além da exigência no vestuário, temos que estar com o corpo bem coberto, nada de bermudas ou blusas decotadas.
Eu e a Ciça passamos, mas olhamos pros lados e atrás de nós e cadê a Dani?
Ficou para traz, tendo que tirar bota, casaco e sendo interrogada (rsrs).
Esperamos alguns instantes e de repente lá apareceu ela com a carinha toda assustada dizendo, sempre comigo, só acontece comigo, não sei o que eles veem em mim (rsrs).
Eu disse: - Dani, acho que te acham com cara de “mulher bomba”, ou te acham muito bonita e querem ficar um pouquinho mais apreciando a sua beleza (rsrs), mas a verdadeira questão é simplesmente por segurança.
Subimos a rampa de madeira e chegamos ao Monte Moriá, local onde Abraão levou Isaque para ser sacrificado.
Foi também o local escolhido por Deus para que o Rei Salomão construísse o templo, por volta do ano 900 a.C., que ficou conhecido como o Primeiro Templo ou Templo de Salomão, sendo profanado e destruído por Nabucodonosor II no ano 586 a.C, época em que o povo judeu foi exilado na Babilônia, retornando alguns anos depois e reconstruindo-o, ficou conhecido como o segundo templo, foi aumentado de tamanho e embelezado pelo Rei Herodes, se tornando então no templo em que Jesus frequentava e ensinava aos doutores da lei, até que no ano 70 d.C., foi destruído novamente pelos romanos.
A Mesquita que se encontra hoje no mesmo local do templo é “O Domo da Rocha” e foi construída pelos muçulmanos no ano de 691, e tem a sua cúpula coberta de ouro.
Vimos ali vários grupos de muçulmanos fazendo suas orações. Dentro das mesquitas só é permitido a entrada para muçulmanos.
Mas no pátio sobre a grande plataforma temos liberdade para caminhar e olhar tudo. Havia vários soldados do exército israelense caminhando por ali com suas grandes metralhadoras e também vários guardas muçulmanos observando atentamente cada pessoa que pisa ali, é o lugar mais vigiado do mundo, não podemos estar com nossas bíblias e nem podemos orar em alta voz.
Visitamos a porta “Dourada”, onde há guardas de sentinela 24 horas por dia. Essa porta é lacrada com tijolos, alguns dizem que os muçulmanos a fecharam, porque por ela Jesus passava quando vinha do Monte das Oliveiras até o templo, e também por ela Jesus entrará na sua segunda vinda, do lado externo há um cemitério muçulmano.
Saímos dali em direção à Porta dos Leões ou Lyons Gate, conhecida também por Porta das Ovelhas ou Porta de Santo Estevão, o primeiro mártir cristão. Esta saída dá acesso para o Monte das Oliveiras.












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